"É pelos media que temos acesso a informação relevante sobre o mundo. O problema da
crise dos refugiados, que parece novo porque nos bateu em cheio à nossa porta, não foge
à regra. Nesse sentido, os media são e serão imprescindíveis.
Temos hoje acesso a uma evidente quantidade e aparente diversidade de informações. A
Internet e as redes sociais possibilitam o acesso a um grande número de fontes, ainda que
de valia variável.
Mas é inquestionável que a informação que nos chega procede esmagadoramente de
agências e de meios que vêem o mundo a partir de determinados ângulos: do seu lugar
geográfico, que condiciona, como sabemos, a relevância das matérias escolhidas; das
fontes a que os media têm mais facilmente acesso ou daquelas que se organizam para fazer
valer determinados pontos de vista e interpretações sobre a realidade junto dos media;
e, naturalmente, das estratégias e interesses dos grandes grupos mediáticos que detêm e
controlam os media.
(...)
A Agenda reúne 29 propostas de atividades, na sua maioria dedicadas a crianças e
jovens, tendo como principal centro de ação as instituições escolares. Abrindo com um
conjunto de propostas que pretendem refletir e analisar o conceito, a situação e as rotas
dos refugiados, as atividades seguintes apresentam diferentes ângulos de abordagem desta
problemática, recorrendo aos media ora como objeto de exploração e análise, ora como
recurso de aprendizagem.
Não pretendendo ser um receituário, este conjunto de propostas pretende inspirar todos
aqueles que pretendam compreender melhor, ou ensinar a compreender melhor, as
circunstâncias, causas e caraterísticas da movimentação de centenas de milhar de pessoas
oriundas da Síria, e em geral do Médio Oriente, assim como de África. Tendo como
propósito a Educação para os Media, pretende-se promover a análise do modo como
esta crise tem sido coberta pelos media: os aspetos que mais salientam, as imagens que
publicam, os sons que propagam, os problemas que (não) explicam, as histórias que (não)
apresentam, bem como as zonas de silêncio e de nebulosidade que nos podem impedir de
ver e de ler melhor o mundo em que vivemos.
Apresentação
Achegas para um problema complexo.
Manuel Pinto, Sara Pereira e Maria José Brites
Refugiados pistas de trabalho